Sequência Didática
Público - Alunos do Ensino
fundamental
Prática
de leitura e escrita
Texto – Meu primeiro beijo – Antonio Barreto
Justificativa
A leitura sugerida do texto abaixo, e as questões propostas referentes
têm como objetivo, levantar pistas para fazer um diagnóstico do conhecimento
prévio do aluno sobre o assunto. Retomar o conceito de narrativa e a partir daí, fornecer dados e informações compatíveis, sobre ela e a produção escrita, mas também acrescida da
leitura de imagens para elaborar o texto.
Para tanto, os alunos terão de executar as seguintes ações: ler o texto, e realizar a leitura de cenas
imagéticas, propor uma discussão sobre a composição narrativa do texto
(personagens, tempo, espaço, enredo), anotar os itens mais importantes da
discussão. Reler o texto, fazer uma discussão sobre o tema e a estrutura da narrativa; planejar a
escrita dos texto; produzir o texto, fazer revisão, reelaborar o texto e apresentar
para a classe.
Situação
inicial
Unidade1
Leitura e análise de texto
TEXTO – 1
Meu primeiro beijo - Antonio Barreto
É dificil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da
escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu
nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme.
Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi
assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me
mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
" Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro
apelido dele. Assinou
com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal,
coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele,
mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa.
No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de
desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca
de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele
tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg
de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45
mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus
óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que
eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis
e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente.
Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração
ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas
coladas, por alguns segundos.
E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos
transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí
ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e
voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram,
depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo.
Mas foi inesquecível!
BARRETO,
Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p.
134-6.
Expressão oral
. Você gosta de ler histórias?
. De que tipo de histórias você mais gosta? Por
quê?
. Ao ler o título, vemos a palavra beijo. O que
você espera do texto que lê?
. O que contém um texto narrativo?
Expressão escrita
Referente ao texto 1 “Meu primeiro beijo” – Antonio Barreto
1 - Use o dicionário para pesquisa, após
destacar as palavras desconhecidas no texto.
2 - Fazer um questionamento ao grupo sobre as
intenções do narrador, quanto à trajetória da personagem principal, e a sua
controvérsia sobre seu primeiro beijo, e do parceiro escolhido para vivenciar
essa experiência marcante em sua vida.
3 - Quando a personagem principal menciona o
codinome "Cultura Inútil" ao referir-se ao seu primeiro namorado e ao
seu primeiro beijo, ela usa a expressão. “... com o Cultura Inútil, pode"!
Essa fala da personagem para os nossos
ouvidos, ela estaria sendo preconceituosa?
4 - Ao
falar da inexperiência de ambos sobre o primeiro beijo, a personagem expõe a falta
de experiência do garoto. Como ela tinha conhecimento disso? Eram amigos
íntimos, já tinham partilhado dessa intimidade?
5 - A expressão "Cultura Inútil"
refere-se ao excesso de cultura do garoto ou falta dela?
6 - Na frase: "O Culta tinha me mandado
um dos seus milhares de bilhetinhos".
Ela se refere na troca de bilhetes em sala de aula? Em sua opinião, isso é rotina num cotidiano
escolar?
7 - Quando
ela diz: “Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó”. Ela insinua
que já era pública a dificuldade dele para expor seus sentimentos e assume ter
conhecimento da timidez do garoto?
8 - "Resolvi dar uma chance para
ele". O que a personagem sugere com essa expressão?
9 - “Pediu
para me acompanhar até em casa". A iniciativa de romance do jovem
contemporâneo, ainda parte do sexo masculino, independente da idade dele?
10 - Refazer o último parágrafo e dar um novo
final ao texto.
11 -
Indique as alternativas corretas:
( ) Um narrador, ou seja, alguém que conta a
história, que nos apresenta seu enredo.
( ) As personagens, que são responsáveis pela
ação da trama dentro da história.
( ) Comentários impessoais a respeito do
espaço e do tempo do enredo.
( ) Espaço e tempo. Em que lugar, ou
cenário, e quando acontece a ação das personagens.
( ) Um ponto de vista, ou seja, o enredo
determina uma argumentação para convencer o leitor a gostar da história.
12. O
texto Meu primeiro beijo é uma narrativa? Por quê?
13 -
O que você espera do enredo deste texto com esse título?
1 4
- Reúna em dupla para o processo de
releitura do texto, “Meu primeiro beijo.”
·
Identifique suas características;
·
Tema;
·
Estrutura da narrativa que o organiza;
·
Faça o registro.
Utilize a ficha organizativa para o
registro
|
Título
do texto
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Referências
bibliográficas (título do livro onde foi publicado, ano, editora).
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Nome
do autor
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Personagens
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Tempo
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Espaço
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Narrador
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Enredo
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Tema
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Identificação
de características próprias da linguagem literária, em contraposição as da
linguagem oral.
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Os
participantes devem falar sobre suas impressões iniciais do texto:
a)
Compreenderam a História? Acharam- na interessante
ou envolvente?
b)
O
participante deve levar em conta que, o acontecimento externo ou interno leva à
compreensão de algum aspecto subjetivo: O que foi vivido visto ou presenciado?
c) Que compreensão foi alcançada? Ou que reflexão?
d) Defina
em linhas gerais, a progressão do texto: começo, meio e fim.
Ao
elaborar um texto
é necessário ficar atento, pois há sempre alguma sequência de
fatos exteriores acompanhando o desenrolar da narrativa , considerá-las em seu
texto.
1 - Siga
alguns critérios:
• Valorização do tempo e do espaço na
narrativa;
• Presença de um narrador, em primeira
ou terceira pessoa;
• Uso da norma padrão da língua
portuguesa;
• Organização e limpeza na apresentação
do trabalho;
• Respeitar o tema.
Produção
final
Unidade1
2 - Escrever
uma narrativa, ao terminá-la o, formar uma dupla e trocar com o colega.
3
- A partir da leitura da narrativa do
colega, fazer um comentário geral sobre o texto:
a) O texto do colega está compreensível?
b)
A linguagem geral do texto dele foi bem
construída?
c) Há algum
recurso especial de linguagem colaborando para a construção da vida interior da
personagem?
d)
Há um conflito claro no texto lido?
e)
Os fatos
exteriores que geraram o conflito podem ser deduzidos pelo leitor?
f)
As palavras foram cuidadosamente escolhidas
por ele?
g)
Há uso
produtivo de campos semânticos diversos?
h)
O
texto aponta para um sentido final?
4
- Reescreva o texto, troque-o com o colega, leia
com atenção as anotações do colega, em seguida releia o seu texto, busque
compreender as intervenções realizadas pelo colega, anote no seu texto as possíveis
modificações. Concluída as alterações necessárias no encerramento da atividade,
apresente para a sala.
Unidade 2
REVISÃO DE CONCEITO DE NARRATIVA
1 – Analise o conceito de narrativa - Por Ana Paula de
Araújo
A
narração é um dos gêneros literários mais fecundos, portanto, há atualmente
diversos tipos de textos narrativos que comumente são produzidos e lidos por
pessoas de todo o mundo.
Entre os tipos de textos mais conhecidos,
estão o Romance, a Novela, o Conto, a Crônica, a Fábula, a Parábola, o Apólogo,
a Lenda, entre outros.
O
principal objetivo do texto narrativo é contar algum fato. E o segundo
principal objetivo é que esse fato sirva como informação, aprendizado ou
entretenimento. Se o texto narrativo não consegue atingir seus objetivos perde
todo o seu valor. A narração, portanto, visa sempre um receptor.
Vejamos os conceitos de cada um desses tipos
de narração e as diferenças básicas entre eles.
Romance: em geral é um tipo de texto que
possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão
se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance
se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico,
etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no
tempo em que se desenrola o enredo.
Novela:
muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é
um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em
outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem.
Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em
comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.
OBS: A telenovela é um tipo diferente de
narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram
publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem,
é herdeiro da epopéia.
A novela, por sua vez, provém de um conto, de
uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.
Conto:
É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas
personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que
pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo
mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode
ser cronológico ou psicológico.
Crônica: por vezes é confundida com o conto.
A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia,
relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o
desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do
sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo,
quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.
Fábula: É semelhante a um conto em
sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no
objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença
é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e
socialização semelhantes às dos seres humanos.
Parábola: é a versão da fábula com
personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas
situações do dia a dia das pessoas.
Apólogo: é semelhante à fábula e à
parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens:
animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma
que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.
Anedota: é um tipo de texto
produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de
fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação.
Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral,
sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.
Lenda: é uma história fictícia a
respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a
fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade,
torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor,
portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens
conhecidas, santas ou revolucionárias.
Estes acima citados são os mais
conhecidos tipos de textos narrativos, mas podemos ainda destacar uma parcela
dos textos jornalísticos que são escritos no gênero narrativo, muitos outros
tipos que fazem parte da história, mas atualmente não são mais produzidos, como
as novelas de cavalaria, epopéias, entre outros. E ainda as muitas narrativas
de caráter popular (feitas pelo povo) como as piadas, a literatura de cordel,
etc.
Devido à enorme variedade de textos
narrativos, não é possível abordar todos ao mesmo tempo, até mesmo porque
cotidianamente novas formas de narrar vão sendo criadas tanto na linguagem
escrita quanto na oral, e a partir destas vão surgindo novos tipos de textos
narrativos.
http://www.infoescola.com/sociologia/entretenimento/
2 - Faça uma discussão sobre o
conceito de narrativa da frase abaixo:
NARRATIVA
- "Sendo a narrativa a enunciação de um discurso que relata acontecimentos ou
ações, para a sua definição é necessário considerar a história que ela conta e
o discurso narrativo que a enuncia". (E. Dicionário de termos Literários de
Carlos Ceia).
Expressão oral
“As
narrativas de antigamente” são as mesmas de hoje? Mudaram? Explique.
3 - Faça um resumo do
texto abaixo:
TEXTO 2
A
literatura e a sociedade
Os textos, orais e escritos, que procuram
atender à necessidade humana de arte são chamados de literatura. Ocorre que nem
todos consideram literatura como o mesmo conjunto de textos. Naturalmente, não
podemos reduzir o que é artístico ao que é bonito.
Embora seja verdade o que o conceito de
arte se relaciona aos conceitos de gosto e de belo, os gostos mudam de acordo
com a época, o lugar, a cultura e o grupo social. Por exemplo, alemães e
brasileiros, a princípio, não terão sempre os mesmos gostos ou classificarão as
mesmas coisas como sendo “belas”.
Além disso, grupos sociais tentam impor o
seu conceito de literatura para outros. Muitas vezes fazem isso por meio de
instituições como a escola, que, conforme o acervo de suas bibliotecas e os textos
adotados pelos professores, em especial de Língua Portuguesa, acaba por
selecionar o que é texto literário do que não é. O mesmo poderia falar das
universidades: quem diria cogitar se um determinado livro solicitado por uma
universidade em um vestibular não é “bonito” o suficiente para ser classificado
como literatura?
A literatura, contudo, não é a única nessa
situação: ela não é independente, mas está relacionada aos demais fenômenos
sociais e econômicos que configuram uma determinada sociedade. Os fundamentos
do que é arte não são de origem individual, massa a obra de arte, sim: é a
criação de um indivíduo, o artista. Esse artista produz a obra de arte, um
trabalho de imaginação.
A imaginação, por um lado, não pode fugir
das referências da realidade. Por mais imaginativo que seja o artista, sempre
há algo de realidade em suas obras. Por outro, a imaginação do artista deve
permitir que a obra de arte vá além da realidade, não necessariamente contra
essa realidade, mas desvelando, possibilitando que o leitor do texto literário
encontre numa situação local, algo que seja universal.
O texto literário também não se deve
confundir com o texto histórico. “Ah, esse livro é legal porque é baseado em
fatos!” – isso não é um critério literário, mas histórico. A história descreve
fatos que ocorreram realmente, preocupando-se com os detalhes particulares
desses fatos. A literatura descreve fatos que, verdadeiros ou não, pouco
importa, revelam aspectos universais – ou seja, sempre presentes – do ser
humano. Elaborado especialmente para São Paulo faz
escola.
4 - Leiam o texto abaixo, reflita e responda as
questões:
a)
Trata-se de uma obra literária? Por quê?
b)
Que imagem de narrador se forma na mente do
leitor? Por quê?
c)
Ao falarmos da leitura de textos literários é
importante saber se os fatos narrados são reais ou não? Por quê?
TEXTO 3
MEDO DA ETERNIDADE - Clarice
Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e
dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha
provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de
que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não
dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou
e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
___Tome
cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
___Como
não acaba? ___Parei um instante na rua, perplexa.
___Não
acaba nunca e pronto.
Eu estava boba: parecia-me ter sido
transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena
pastilha cor de rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a,
quase não podia acreditar, no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes
tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la
durar mais. E eis-me com aquela coisa cor de rosa, de aparência tão inocente,
tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o
chicle na boca.
___Agora
que é que eu faço? ___Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria
haver.
___agora
chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto
você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu
já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não
podia dizer que era ótimo. E ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
___Acabou-se
o docinho. E agora?
___Agora
mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê.
Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de
borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia
contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser
bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de
eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à
altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava
obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando
o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
___Olha
só o que aconteceu! ___Disse eu em fingidos espanto e tristeza. ___Agora não
posso mastigar mais a bala acabou!
___Já
lhe disse ___repetiu minha irmã ___ que ela não acaba nunca. Mas a gente às
vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no
sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e
esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de
minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da
boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre
mim.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do
mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984, p. 446-8.
Referente
ao texto 3 “Medo da eternidade” de Clarice Lispector – responda:
1 - “... parecia-me ter sido transportada para o
reino de histórias de príncipes e fadas”.
a.
Explique o raciocínio do narrador.
b.
Que expressão do sétimo parágrafo resume a
mesma ideia?
2 - Por
que o narrador supõe a existência de um ritual para o simples ato de mascar
chiclete?
3 - A
narrativa é feita em primeira pessoa por um narrador adulto que recorda a
infância. A que o narrador dá mais importância: ao fato em si ou a reflexão
despertada pela lembrança do fato? Justifique.
4 - Empregando
apenas substantivos abstratos, resuma o estado psicológico latente nas reações
do narrador em cada fragmento:
a.
“Parei um instante na rua perplexa”.
b.
“...quase não podia acreditar no milagre”.
c.
“Perder a eternidade? Nunca”.
ANÁLISE
INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS
Imagem 1
1
- Formar duplas observar as imagens,
responder as questões referentes a elas:
Arte - Antonio
Canova – Cupido e Psique
- Que sentimentos esta imagem desperta em você
- O que você vê?
- O que
a escultura representa?
- Que palavras vêm ao seu pensamento quando
você observa essa obra de arte?
Imagem 2
Imagem 3
Imagem 4

2 - As imagens 1. 2. 3. 4 - poderiam servir de
tema para a escrita de uma história?
- Qual das imagens já parece por si só uma
história, ou apresenta uma sequência narrativa incompleta?
- Se tivessem uma das imagens para escrever uma
história, qual seria?
- Seria possível escrever uma única história
organizando as imagens em sequência?
- Quem tirou a foto?
- O que pretendia com ela?
- O que deseja contar com essa imagem?
- O
que o fotógrafo priorizou ao tirar essa foto?
- Ele enfoca alguém ou algum objeto em particular?
- Que
coisas estão perto desse foco, mas aparecem em segundo planos?
Anotar as informações e ideias discutidas aqui
sobre as imagens em uma tabela para usarmos em seguida:
|
Imagem
1
|
Imagem
2
|
Imagem
3
|
Imagem
4
|
Informação
aparente
|
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Contexto
da imagem
|
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|
Ideias
suscitadas pela leitura das imagens
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|
Histórias
possíveis de contar com base nas Imagens
|
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|
|
Como
essas imagens traduzem o tema Contemplação
|
|
|
|
|
Iniciar
o processo de escrita de um enredo (os principais acontecimentos de uma
história), a partir do qual escreverão um
texto representativo que fizeram dessas imagens.
3 - Siga
essas orientações:
a)
As duplas devem selecionar as imagens sobre
as quais desejam escrever;
b)
Observem quais são os elementos mais
importantes de cada imagem, ou de todas?
c) “O que mais motiva vocês nessa leitura de
imagens?”, “Sobre o que gostariam de escrever, por acharem mais interessante,
motivador ou representativo nas imagens que leram?”.
4 - Escreva um pequeno enredo com os dados mais
importantes que queiram contar no texto.
Podemos
observar na última imagem um casal observando o mar.
a) Que palavras vêm ao nosso pensamento ao
observar essa cena?
b) Quem são eles?
c) Qual sua história?
d)
Como se conheceram?
e) Estão apaixonados? Onde moram?
f)
Imaginem que as personagens estejam
conversando. O que acham que elas estariam dizendo uma para a outra? Reproduza
esse diálogo, vamos inventar um enredo para essa imagem, criar informações que
respondam essas questões.
5. As duplas devem, a partir do enredo
elaborado, escrever a primeira versão do texto. È necessário levar em conta a
própria estrutura do gênero narrativo Siga os critérios a seguir:
• Uso apropriado da norma-padrão da
língua portuguesa.
• Uso producente dos elementos da
narrativa: personagem, ação, espaço, tempo.
• Presença de atualidade e sensibilidade
na escolha do tema.
• Criatividade, bom gosto e expressão
poética da linguagem.
• Preocupação com a intencionalidade
comunicativa.
• Utilização de projeto de texto.
Produção final
Unidade
2
- Elaborem,
antes, um projeto de texto, completando o modelo a seguir:
Elementos da narrativa
|
Tema a ser abordado no
texto
|
Personagens:
|
Ação principal:
|
Espaço:
|
Tempo:
|
Estruturas do texto
|
Introdução:
(Questão
básica: como despertar a atenção do leitor para que ele leia o texto?).
|
Desenvolvimento da narrativa:
|
Conclusão/Desfecho:
(Que
reflexão eu gostaria de oferecer ao meu leitor? - deve harmonizar-se com a
introdução.)
|
- Retorne
as imagens, escreva um texto,
Seguindo as instruções abaixo:
a.
Pense no leitor e no objetivo que você tem em
vista. Você quer entreter, divertir o leitor, sensibilizá-lo ou fazer com que
ele reflita?
b.
Planeje o modo de construir a narrativa de
seu texto. Procure contar o fato de uma forma que envolva o leitor, despertando
nele interesse pela narração e a vontade de ler o texto até o final. Se
possível, guarde uma surpresa para o fim, de modo a fazer com que o leitor
retome a leitura do texto, e empregue em seu texto a variedade padrão formal ou
outra, de acordo com as personagens envolvidas.
c.
Faça um rascunho e, antes de concluir seu texto,
realize uma revisão cuidadosa e refaça o texto quantas vezes forem necessárias.
d.
Observe se o texto apresenta uma visão
pessoal da imagem escolhida; se nela há os elementos narrativos básicos; se o
texto ficou curto e leve; se diverte ou promove uma reflexão; se a linguagem
empregada é adequada ao gênero e ao contexto.
e.
Após a escrita do texto, troquem-no com outra
dupla e anotem, a lápis, sugestões para melhorar a escrita. Na devolução do
texto, vejam as opiniões de seus colegas, mas considerem se, de fato, elas
deixarem o texto melhor. Observem que não se trata de escrever outro texto, mas
de aprimorar o que já fizeram. Em seguida: Cada dupla apresenta seu texto oralmente
para toda a classe.
REFERÊNCIAS
Livro- Português: Linguagens- volume único –
São Paulo, 2003.
CEREJA,
Roberto William – Magalhães, Thereza Cochar.
Livro-Diálogo – Língua portuguesa – São
Paulo: FTD, 2001.
BELTRÃO,
Eliana – Velloso, Maria Lúcia
Caderno
do Professor e do aluno: língua portuguesa, ensino fundamental e ensino médio / Secretaria
da Educação; coordenação geral, FINI, Maria Inês e equipe - São Paulo: SEE,
2008.
OLIVEIRA, TANIA A., - Tecendo textos - Ensino de Língua Portuguesa Através de projetos /Tania A. Oliveira, R. Bertolin, A. S. Silva, 2. Edição - São paulo: IBEP, 2002. (Coleção Novo tempo)
Imagens
– imagens coletadas da Internet.