domingo, 16 de junho de 2013

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

Sequência Didática

Público - Alunos do Ensino fundamental

Prática de leitura e escrita

Texto –  Meu primeiro beijo – Antonio Barreto

 

Justificativa

 

       A leitura sugerida do texto abaixo, e as questões propostas referentes têm como objetivo, levantar pistas para fazer um diagnóstico do conhecimento prévio do aluno sobre o assunto. Retomar o conceito de narrativa e a partir daí, fornecer dados e informações compatíveis, sobre ela e a produção escrita, mas também acrescida da leitura de imagens para elaborar o texto.

    Para tanto, os alunos terão de executar as seguintes ações: ler o texto,  e realizar a leitura de cenas imagéticas, propor uma discussão sobre a composição narrativa do texto (personagens, tempo, espaço, enredo), anotar os itens mais importantes da discussão. Reler o texto, fazer uma discussão sobre o tema e a estrutura da narrativa; planejar a escrita dos texto; produzir o texto, fazer revisão, reelaborar o texto e apresentar para a classe.

 

Situação inicial

Unidade1

Leitura e análise de texto

 

 TEXTO – 1

 Meu primeiro beijo - Antonio Barreto

 

    É dificil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...

     Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:

    " Você é a glicose do meu metabolismo.

     Te amo muito!

     Paracelso"

     E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele.      Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.

     No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:

   - Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.

      Mas ele continuou:

    - Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:

    - A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...

       Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus.     Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.

       E de repente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.

       Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

 Expressão oral


.                    Você gosta de ler histórias?
.             De que tipo de histórias você mais gosta? Por quê?
.            Ao ler o título, vemos a palavra beijo. O que você espera do texto que lê?
.                    O que contém um texto narrativo?
 Expressão escrita

 Referente ao texto 1  “Meu primeiro beijo” – Antonio Barreto
 1 - Use o dicionário para pesquisa, após destacar as palavras desconhecidas no texto.
 2 - Fazer um questionamento ao grupo sobre as intenções do narrador, quanto à trajetória da personagem principal, e a sua controvérsia sobre seu primeiro beijo, e do parceiro escolhido para vivenciar essa experiência marcante em sua vida.
3 - Quando a personagem principal menciona o codinome "Cultura Inútil" ao referir-se ao seu primeiro namorado e ao seu primeiro beijo, ela usa a expressão. “... com o Cultura Inútil, pode"!  Essa fala da personagem para os nossos ouvidos, ela estaria sendo preconceituosa?
4 - Ao falar da inexperiência de ambos sobre o primeiro beijo, a personagem expõe a falta de experiência do garoto. Como ela tinha conhecimento disso? Eram amigos íntimos, já tinham partilhado dessa intimidade?
 5 - A expressão "Cultura Inútil" refere-se ao excesso de cultura do garoto ou falta dela?
 6 - Na frase: "O Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos".  Ela se refere na troca de bilhetes em sala de aula?  Em sua opinião, isso é rotina num cotidiano escolar?
7 - Quando ela diz: “Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó”. Ela insinua que já era pública a dificuldade dele para expor seus sentimentos e assume ter conhecimento da timidez do garoto?
 8 - "Resolvi dar uma chance para ele". O que a personagem sugere com essa expressão?
9 - “Pediu para me acompanhar até em casa". A iniciativa de romance do jovem contemporâneo, ainda parte do sexo masculino, independente da idade dele?
10 -  Refazer o último parágrafo e dar um novo final ao texto.
11 - Indique as alternativas corretas:
(    ) Um narrador, ou seja, alguém que conta a história, que nos apresenta seu enredo.
(    ) As personagens, que são responsáveis pela ação da trama dentro da história.
(      ) Comentários impessoais a respeito do espaço e do tempo do enredo.
(     ) Espaço e tempo. Em que lugar, ou cenário, e quando acontece a ação das personagens.
(     ) Um ponto de vista, ou seja, o enredo determina uma argumentação para convencer o leitor a gostar da história.
12. O texto Meu primeiro beijo é uma narrativa? Por quê?
13 - O que você espera do enredo deste texto com esse título?
1 4 - Reúna em dupla para o processo de releitura do texto, “Meu primeiro beijo.”
·                    Identifique suas características;
·                    Tema;
·                    Estrutura da narrativa que o organiza;
·                    Faça o registro.
Utilize a ficha organizativa para o registro
Título do texto


Referências bibliográficas (título do livro onde foi publicado, ano, editora).


Nome do autor


Personagens


Tempo


Espaço


Narrador


Enredo


Tema


Identificação de características próprias da linguagem literária, em contraposição as da linguagem oral.

Os participantes devem falar sobre suas impressões iniciais do texto:
a)        Compreenderam a História? Acharam- na interessante ou envolvente?
b)        O participante deve levar em conta que, o acontecimento externo ou interno leva à compreensão de algum aspecto subjetivo: O que foi vivido visto ou presenciado?
c)    Que compreensão foi alcançada? Ou que reflexão?
d)    Defina em linhas gerais, a progressão do texto: começo, meio e fim.
Ao elaborar  um texto é necessário ficar atento, pois há sempre alguma sequência de fatos exteriores acompanhando o desenrolar da narrativa , considerá-las em seu texto.
1 - Siga alguns critérios:
•   Valorização do tempo e do espaço na narrativa;
•   Presença de um narrador, em primeira ou terceira pessoa;
•   Uso da norma padrão da língua portuguesa;
•   Organização e limpeza na apresentação do trabalho;
 •   Respeitar o tema.
Produção final
Unidade1
2 - Escrever uma narrativa, ao terminá-la o, formar uma dupla e trocar com o colega.
3 -  A partir da leitura da narrativa do colega, fazer um comentário geral sobre o texto:
a)       O texto do colega está compreensível?
b)      A linguagem geral do texto dele foi bem construída?
c)        Há algum recurso especial de linguagem colaborando para a construção da vida interior da personagem?
d)           Há um conflito claro no texto lido?
e)           Os fatos exteriores que geraram o conflito podem ser deduzidos pelo leitor?
f)             As palavras foram cuidadosamente escolhidas por ele?
g)            Há uso produtivo de campos semânticos diversos?
h)        O texto aponta para um sentido final?
4     - Reescreva o texto, troque-o com o colega, leia com atenção as anotações do colega, em seguida releia o seu texto, busque compreender as intervenções realizadas pelo colega, anote no seu texto as possíveis modificações. Concluída as alterações necessárias no encerramento da atividade, apresente para a sala.
Unidade 2
REVISÃO DE CONCEITO DE NARRATIVA
1 – Analise  o conceito de narrativa - Por Ana Paula de Araújo
        A narração é um dos gêneros literários mais fecundos, portanto, há atualmente diversos tipos de textos narrativos que comumente são produzidos e lidos por pessoas de todo o mundo.
        Entre os tipos de textos mais conhecidos, estão o Romance, a Novela, o Conto, a Crônica, a Fábula, a Parábola, o Apólogo, a Lenda, entre outros.
       O principal objetivo do texto narrativo é contar algum fato. E o segundo principal objetivo é que esse fato sirva como informação, aprendizado ou entretenimento. Se o texto narrativo não consegue atingir seus objetivos perde todo o seu valor. A narração, portanto, visa sempre um receptor.
      Vejamos os conceitos de cada um desses tipos de narração e as diferenças básicas entre eles.
      Romance: em geral é um tipo de texto que possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico, etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se desenrola o enredo.
      Novela: muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem. Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.
     OBS: A telenovela é um tipo diferente de narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem, é herdeiro da epopéia.
      A novela, por sua vez, provém de um conto, de uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.
     Conto: É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.
       Crônica: por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo, quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.
       Fábula: É semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos.
        Parábola: é a versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.
        Apólogo: é semelhante à fábula e à parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.
          Anedota: é um tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.
          Lenda: é uma história fictícia a respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor, portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou revolucionárias.
           Estes acima citados são os mais conhecidos tipos de textos narrativos, mas podemos ainda destacar uma parcela dos textos jornalísticos que são escritos no gênero narrativo, muitos outros tipos que fazem parte da história, mas atualmente não são mais produzidos, como as novelas de cavalaria, epopéias, entre outros. E ainda as muitas narrativas de caráter popular (feitas pelo povo) como as piadas, a literatura de cordel, etc.
         Devido à enorme variedade de textos narrativos, não é possível abordar todos ao mesmo tempo, até mesmo porque cotidianamente novas formas de narrar vão sendo criadas tanto na linguagem escrita quanto na oral, e a partir destas vão surgindo novos tipos de textos narrativos.
http://www.infoescola.com/sociologia/entretenimento/

2 -  Faça uma discussão sobre o conceito de narrativa da frase abaixo:

NARRATIVA - "Sendo a narrativa a enunciação de um discurso que relata acontecimentos ou ações, para a sua definição é necessário considerar a história que ela conta e o discurso narrativo que a enuncia". (E. Dicionário de termos Literários de Carlos Ceia).

Expressão oral
“As narrativas de antigamente” são as mesmas de hoje?  Mudaram? Explique.
3 - Faça um resumo do texto abaixo:

TEXTO 2

  A literatura e a sociedade

     Os textos, orais e escritos, que procuram atender à necessidade humana de arte são chamados de literatura. Ocorre que nem todos consideram literatura como o mesmo conjunto de textos. Naturalmente, não podemos reduzir o que é artístico ao que é bonito.
     Embora seja verdade o que o conceito de arte se relaciona aos conceitos de gosto e de belo, os gostos mudam de acordo com a época, o lugar, a cultura e o grupo social. Por exemplo, alemães e brasileiros, a princípio, não terão sempre os mesmos gostos ou classificarão as mesmas coisas como sendo “belas”.
     Além disso, grupos sociais tentam impor o seu conceito de literatura para outros. Muitas vezes fazem isso por meio de instituições como a escola, que, conforme o acervo de suas bibliotecas e os textos adotados pelos professores, em especial de Língua Portuguesa, acaba por selecionar o que é texto literário do que não é. O mesmo poderia falar das universidades: quem diria cogitar se um determinado livro solicitado por uma universidade em um vestibular não é “bonito” o suficiente para ser classificado como literatura?
     A literatura, contudo, não é a única nessa situação: ela não é independente, mas está relacionada aos demais fenômenos sociais e econômicos que configuram uma determinada sociedade. Os fundamentos do que é arte não são de origem individual, massa a obra de arte, sim: é a criação de um indivíduo, o artista. Esse artista produz a obra de arte, um trabalho de imaginação.
     A imaginação, por um lado, não pode fugir das referências da realidade. Por mais imaginativo que seja o artista, sempre há algo de realidade em suas obras. Por outro, a imaginação do artista deve permitir que a obra de arte vá além da realidade, não necessariamente contra essa realidade, mas desvelando, possibilitando que o leitor do texto literário encontre numa situação local, algo que seja universal.
     O texto literário também não se deve confundir com o texto histórico. “Ah, esse livro é legal porque é baseado em fatos!” – isso não é um critério literário, mas histórico. A história descreve fatos que ocorreram realmente, preocupando-se com os detalhes particulares desses fatos. A literatura descreve fatos que, verdadeiros ou não, pouco importa, revelam aspectos universais – ou seja, sempre presentes – do ser humano.   Elaborado especialmente para São Paulo faz escola.

4 -  Leiam o texto abaixo, reflita e responda as questões:
a)           Trata-se de uma obra literária? Por quê?
b)           Que imagem de narrador se forma na mente do leitor? Por quê?
c)           Ao falarmos da leitura de textos literários é importante saber se os fatos narrados são reais ou não?  Por quê?

TEXTO 3
MEDO DA ETERNIDADE - Clarice Lispector
    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
___Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
___Como não acaba? ___Parei um instante na rua, perplexa.
___Não acaba nunca e pronto.
    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor de rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar, no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
___Agora que é que eu faço? ___Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
___agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
    Perder a eternidade? Nunca.
    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
___Acabou-se o docinho. E agora?

___Agora mastigue para sempre.
     Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
___Olha só o que aconteceu! ___Disse eu em fingidos espanto e tristeza. ___Agora não posso mastigar mais a bala acabou!
___Já lhe disse ___repetiu minha irmã ___ que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.
 Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1984, p. 446-8.
Referente ao texto 3 “Medo da eternidade” de Clarice Lispector – responda:
1 -  “... parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas”.
a.            Explique o raciocínio do narrador.
b.            Que expressão do sétimo parágrafo resume a mesma ideia?
2 - Por que o narrador supõe a existência de um ritual para o simples ato de mascar chiclete?
3 - A narrativa é feita em primeira pessoa por um narrador adulto que recorda a infância. A que o narrador dá mais importância: ao fato em si ou a reflexão despertada pela lembrança do fato? Justifique.
4 - Empregando apenas substantivos abstratos, resuma o estado psicológico latente nas reações do narrador em cada fragmento:
a.            “Parei um instante na rua perplexa”.
b.            “...quase não podia acreditar no milagre”.
c.            “Perder a eternidade? Nunca”.
 ANÁLISE INTERPRETAÇÃO DE IMAGENS
Imagem 1
1     - Formar duplas observar as imagens, responder as questões referentes a elas:


                                                                       Arte -  Antonio Canova – Cupido e Psique

  • Que sentimentos esta imagem desperta em você
  • O que você vê?
  • O que a escultura representa?
  • Que palavras vêm ao seu pensamento quando você observa essa obra de arte?

Imagem 2
 Imagem 3
Imagem 4
2 -  As imagens 1. 2. 3. 4 - poderiam servir de tema para a escrita de uma história?

  • Qual das imagens já parece por si só uma história, ou apresenta uma sequência narrativa incompleta?
  • Se tivessem uma das imagens para escrever uma história, qual seria?
  • Seria possível escrever uma única história organizando as imagens em sequência?
  • Quem tirou a foto?
  • O que pretendia com ela?
  • O que deseja contar com essa imagem?
  • O que o fotógrafo priorizou ao tirar essa foto?
  • Ele enfoca alguém ou algum objeto em particular?
  • Que coisas estão perto desse foco, mas aparecem em segundo planos?
Anotar as informações e ideias discutidas aqui sobre as imagens em uma tabela para usarmos em seguida:

Imagem 1   
Imagem 2
Imagem 3  
Imagem 4

Informação aparente






Contexto da imagem






Ideias suscitadas pela leitura das imagens






Histórias possíveis de contar com base nas Imagens






Como essas imagens traduzem o tema Contemplação





Iniciar o processo de escrita de um enredo (os principais acontecimentos de uma história), a partir do qual escreverão um texto representativo que fizeram dessas imagens.
3 -    Siga essas orientações:
a)           As duplas devem selecionar as imagens sobre as quais desejam escrever; 
b)           Observem quais são os elementos mais importantes de cada imagem, ou de todas?
c)           “O que mais motiva vocês nessa leitura de imagens?”, “Sobre o que gostariam de escrever, por acharem mais interessante, motivador ou representativo nas imagens que leram?”.
4 -  Escreva um pequeno enredo com os dados mais importantes que queiram contar no texto.
Podemos observar na última imagem um casal observando o mar.
a)          Que palavras vêm ao nosso pensamento ao observar essa cena?
b)          Quem são eles?
c)           Qual sua história?
d)           Como se conheceram?
e)            Estão apaixonados? Onde moram?
f)             Imaginem que as personagens estejam conversando. O que acham que elas estariam dizendo uma para a outra? Reproduza esse diálogo, vamos inventar um enredo para essa imagem, criar informações que respondam essas questões.
 5. As duplas devem, a partir do enredo elaborado, escrever a primeira versão do texto. È necessário levar em conta a própria estrutura do gênero narrativo Siga os critérios a seguir:
•          Uso apropriado da norma-padrão da língua portuguesa.
•          Uso producente dos elementos da narrativa: personagem, ação, espaço, tempo.
•          Presença de atualidade e sensibilidade na escolha do tema.
•          Criatividade, bom gosto e expressão poética da linguagem.
•          Preocupação com a intencionalidade comunicativa.
•        Utilização de projeto de texto.
Produção final
Unidade 2
 -  Elaborem, antes, um projeto de texto, completando o modelo a seguir:
 Elementos da narrativa
Tema a ser abordado no texto

Personagens:

Ação principal:

Espaço:

Tempo:

Estruturas do texto
Introdução:




(Questão básica: como despertar a atenção do leitor para que ele leia o texto?).
Desenvolvimento da narrativa:


Conclusão/Desfecho:
(Que reflexão eu gostaria de oferecer ao meu leitor? - deve harmonizar-se com a introdução.)

 - Retorne as imagens, escreva um texto,
Seguindo as instruções abaixo:
a.            Pense no leitor e no objetivo que você tem em vista. Você quer entreter, divertir o leitor, sensibilizá-lo ou fazer com que ele reflita?
b.            Planeje o modo de construir a narrativa de seu texto. Procure contar o fato de uma forma que envolva o leitor, despertando nele interesse pela narração e a vontade de ler o texto até o final. Se possível, guarde uma surpresa para o fim, de modo a fazer com que o leitor retome a leitura do texto, e empregue em seu texto a variedade padrão formal ou outra, de acordo com as personagens envolvidas.
c.            Faça um rascunho e, antes de concluir seu texto, realize uma revisão cuidadosa e refaça o texto quantas vezes forem necessárias.
d.            Observe se o texto apresenta uma visão pessoal da imagem escolhida; se nela há os elementos narrativos básicos; se o texto ficou curto e leve; se diverte ou promove uma reflexão; se a linguagem empregada é adequada ao gênero e ao contexto.
e.            Após a escrita do texto, troquem-no com outra dupla e anotem, a lápis, sugestões para melhorar a escrita. Na devolução do texto, vejam as opiniões de seus colegas, mas considerem se, de fato, elas deixarem o texto melhor. Observem que não se trata de escrever outro texto, mas de aprimorar o que já fizeram. Em seguida: Cada dupla apresenta seu texto oralmente para toda a classe.

REFERÊNCIAS

Livro- Português: Linguagens- volume único – São Paulo, 2003.
CEREJA, Roberto William – Magalhães, Thereza Cochar.

Livro-Diálogo – Língua portuguesa – São Paulo: FTD, 2001.
BELTRÃO, Eliana – Velloso, Maria Lúcia

Caderno do Professor e do aluno: língua portuguesa,  ensino fundamental e ensino médio / Secretaria da Educação; coordenação geral, FINI, Maria Inês e equipe - São Paulo: SEE, 2008.

OLIVEIRA, TANIA A.,  - Tecendo textos - Ensino de Língua Portuguesa Através de projetos /Tania A. Oliveira, R. Bertolin, A. S. Silva, 2. Edição - São paulo: IBEP, 2002. (Coleção Novo  tempo)

Imagens – imagens  coletadas da Internet.

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