quinta-feira, 6 de junho de 2013

Leitura e  Escrita - "Cidadania"
  Arte - Henriette Browne

Esse  trecho de Alfredo Bosi, (Céu, Inferno) é muito pertinente para esse momento de dicussão sobre leitura e escrita "Acontece, porém, que as palavras não são diáfamas. Ainda quando miméticas ou fortemente expressivas, elas são densas até o limite da opacidade.(...)  A palavra que eu leio ( lego:  colho) na sua ingrata renitência sobre a página do livro, desafia-me como a pergunta da esfinge. A resposta pode variar ao infinito, mas o enigma é sempre o mesmo (...). O intérprete está diante do efeito verbal e estilizado de um processo que é sinuoso e, não raro, obscuro para o seu próprio criador. É preciso que ele respeite esse caráter de mobilidade, incerteza, surpresa, polivalência e, até certo ponto, indeterminação, que fala implica mesmo quando tudo nela pareça água de rocha e cristal sem jaca." Retomo Rubem Alves em sua colocação":   "...é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a história. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. A criança volta-se para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! “Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está a ler”, pois confirma que é através da  leitura, da escrita  que está o foco da conquista da autonomia, não apenas  a preparação do indivíduo para eventuais práticas linguísticas, mas também amplia a compreensão dele da realidade que o cerca , aponta-lhe formas concretas de participação social como cidadão.
Cidadania Então - Banda Enigmas
                                                                                                                  
 As vezes finjo não saber, para aprender de novo
Se acaso não conhecer limitado e meu poder da busca
Preciso buscar o entendimento, preciso exercer a cidadania
Quero ir a escola todos os dias, quero aprender
Quero concordar ou discordar,cumprir meu dever
Quero acreditar na legislação, sem ter que rasgar a constituição
De dentro do meu coração


Quero trabalhar, me alimentar, quero andar, sentir-me seguro
Quero morar, quero contribuir para uma nova sociedade
Entendida, ilimitada, determinada


Quero assumir minha posição, não vou discutir religião
Sem demagogia, sou cristão
Quero cantar o hino nacional, pedir a Deus pela nação
Buscar o auge, sobretudo então, ser cidadão, ser cristão
Ser um cristão cidadão, ser cidadão cidadão
                         
Antonio Candido "A literatura não corrompe nem edifica: mas trazendo livremente em si o que chamamos o bem e o que chamamos o mal, humaniza em sentido profundo, porque faz viver".

2 comentários:

  1. "A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde." André Maurois
    Adorei o capricho do blog de vocês! Parabéns!

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